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15 de maio de 2021

“Ele queria matar o máximo possível de pessoas”, afirma delegado sobre ataque em Saudades

Autor do ataque a Escola Pró-Infância Aquarela, em Saudades (SC), Fabiano Kipper Mai, 18 anos, planejou a chacina sozinho, tinha consciência do que estava fazendo, agiu motivado por ódio e pretendia matar o maior número possível de pessoas. Essas são as principais conclusões da Polícia Civil de Santa Catarina sobre o crime que tirou a vida de três bebês e duas professoras na manhã de 4 de maio. Os detalhes da investigação foram divulgados em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (14).

Na manhã do crime, Fabiano trabalhou em uma fábrica de confecção de roupas e calçados entre 5h e 9h15min. No horário do intervalo, foi em casa e depois saiu de bicicleta para ir até a Aquarela. Invadiu a escola às 9h50min com um facão comprado por R$ 400 na internet, entregue cinco dias antes do ataque.

— Ele queria matar o máximo possível de pessoas. Agiu com esse objetivo e estava com pressa. Ele tentava entrar em uma sala, não conseguia e ia para outra, algo que era importante para atingir o objetivo dele. Ele agiu consciente do que fez o tempo todo, planejou o ataque há vários meses, desde o ano passado. Ele agiu sozinho, demos profundidade suficiente na investigação para dizer que não há indicativo de que alguém o tenha auxiliado — afirmou o delegado Jerônimo Marçal Ferreira em coletiva de imprensa.

Fabiano foi indiciado por cinco homicídios triplamente qualificados e uma tentativa de homicídio triplamente qualificada.  As vítimas são Sarah Luiza Mahle Sehn, 1 ano e 7 meses, Anna Bela Fernandes de Barros, 1 ano e 8 meses, Murilo Massing, 1 ano e 9 meses, Mirla Amanda Renner Costa, 20 anos, e Keli Adriane Aniecevski, 30 anos.

Ao longo dos 10 dias de investigação, foram ouvidas mais de 20 testemunhas e analisados os conteúdos do computador e e um pen drive do criminoso. A Polícia Civil também contou com suporte da Embaixada Americana em Brasília.

Fabiano foi ouvido formalmente na segunda-feira (10) quando ainda estava internado no Hospital Regional do Oeste, em Chapecó. Ele teve alta na quarta-feira (12)e foi encaminhado para cadeia, onde vai aguardar o julgamento. Na coletiva, o delegado optou por não dar detalhes da fala do matador. Disse que o criminoso confessou o crime e admitiu que planejou e agiu sozinho. Os investigadores chegaram à motivação do ataque com o apoio de uma psicóloga da Polícia Civil de Santa Catarina.

— Não quero ter a pretensão de entrar na cabeça do rapaz e tentar simplificar. Mas ele era uma pessoa isolada, tinha dificuldade de relacionamento em um nível muito acima do normal. Tem muita gente que é fechada, mas com ele isso era em em um outro patamar — disse o delegado.

Durante as refeições em casa, Fabiano pegava o prato e ia para o quarto. Quando precisava de uma peça de roupa, pedia para a mãe comprar. Em perfil publicado por GZH, familiares e conhecidos de Fabiano o descreveram como um jovem de poucos amigos, introspectivo e fechado inclusive com a família. Não tinha celular e nem perfil nas redes sociais. Passava a maior parte do dia trancado no quarto, tendo acesso a conteúdo inapropriado, especialmente fotos e vídeos — e contato com pessoas que tinham pensamentos e sentimentos ruins como ele.

— Ele foi se isolando do nosso mundo cada vez mais. Ao navegar na internet, começou a ter contato com material e ideias muito violentas e pessoas que pensavam parecido com ele. Foi alimentando esse ódio dentro dele a ponto de querer descontar em alguém, na população. Não era ódio contra alguém específico. Ele tinha ódio generalizado — explicou Marçal.

A partir do momento em Fabiano passou a querer externar o ódio que vinha alimentando dentro de si, apontou como alvo inicial pessoas do seu próprio convívio. Tentou comprar arma de fogo de várias formas e não conseguiu. Pensou em atacar a Escola de Educação Básica Rodrigo Alves, onde cursava o terceiro ano do Ensino Médio, mas achou que não daria conta de enfrentar os adultos que frequentavam a instituição. O criminoso então decidiu comprar um facão pela internet.

— O ato já seria covarde se fosse na escola. Agora, contra crianças e mulheres, que não tem como se defender, foi ainda mais covarde. Ele decidiu descontar a raiva em quem não tinha nada a ver com ele — afirmou o delegado.

Ainda segundo a polícia, integrantes da família de Fabiano — ele morava com o pai, a mãe, a irmã e a avó — viram o facão chegar mas não entenderam o porquê da compra. A investigação também apurou que as pessoas que convivam com o criminoso não tinham ideia do que se passava pela cabeça dele e nem do que poderia acontecer. Na avaliação do delegado, Fabiano era uma pessoa normal — sem distúrbio psicológico — e tinha noção do que fazia:

— O planejamento do crime deixa isso muito claro. Ao conversar com ele, demonstrou consciência de que o que fez foi errado. Sabia que estava errado e fez mesmo assim. Falou que estava arrependido, mas não consegui aferir se era genuíno ou não.

O depoimento de Fabiano corroborou o que a polícia já vinha apurando. Conforme a investigação, o matador mirou a Escola Aquarela pela fragilidade das vítimas. O planejamento do crime também incluía tirar sua própria vida. Fabiano chegou a dar golpes contra si e foi internado em estado grave.

— A raiva dele era contra qualquer pessoa. Ele atacaria qualquer pessoa. Quando a arma chegou na casa dele, definiu o alvo e escolheu aquele local. É algo que ele vinha trabalhando na cabeça dele, no seu isolamento.  Para mim, está tudo bem esclarecido, quem fez, por que fez, de que forma fez — afirmou Marçal.

O delegado-geral de Santa Catarina, Paulo Koerich, explicou que a troca de informações com os norte-americanos permitiu identificar outras pessoas que poderiam ter a intenção de planejar ações semelhantes em outros Estados brasileiros. As informações foram encaminhadas às respectivas autoridades policiais para que possam agir e impedir ataques parecidos. A extração de informações dos equipamento eletrônicos de Fabiano também facilitou essa busca. Os nomes e os Estados não foram divulgados.

— Talvez tenhamos conseguido evitar danos maiores a outras pessoas. Não podemos divulgar essas informações pois são muito sensíveis. Não havia nada de concreto, nada que você pudesse dizer que havia um planejamento. A população não precisa ficar preocupada — disse Koerich.

O governo do Estado de SC também anunciou segurança remota e física nas 1.064 escolas estaduais de Santa Catarina.

Confira a entrevista da Polícia Civil

 

Fonte: GZH

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